Carta da Presidente
Gisele de Menezes, Presidente da ABP-AYU
Seja bem vinda(o)! Apresentamos aqui nossa Associação Brasileira de Profissionais de Ayurveda — ABP-AYU. Sendo Ayurveda uma palavra Sânscrita que significa Ciência da Vida.
Quando pensamos em Ayurveda no Brasil, talvez ainda exista a percepção de que falamos de um campo pequeno, periférico ou alternativo.
Mas a realidade já é outra.
Embora ainda não exista um censo nacional oficial, estimativas do próprio setor apontam para milhares de terapeutas Ayurveda em atuação no país, formados por dezenas de escolas e institutos distribuídos pelo Brasil — incluindo escolas consolidadas, com anos de trajetória e centenas de profissionais formados.
E isso mostra que nós crescemos.
Crescemos em número.
Crescemos em formação.
Crescemos em presença clínica.
Crescemos em produção de conhecimento.
Crescemos em impacto social.
Porém crescimento sem organização gera dispersão.
E é justamente aqui que entra o associativismo.
Se já somos muitos, se já ocupamos espaço real na sociedade brasileira, então organizar nossa representação, nossos princípios éticos e nossa voz institucional deixa de ser opcional, para ser parte natural do amadurecimento do Ayurveda no Brasil.
Falo como presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Ayurveda — ABP-AYU — mas também como estudante, praticante, terapeuta e alguém que acompanha há anos o crescimento do Ayurveda em território brasileiro.
Sabemos que essa Ciência chegou ao Brasil há décadas como uma semente e aos cuidados de poucos estudiosos, terapeutas pioneiros e buscadores sinceros. Logo depois, por escolas, formações, atendimentos, projetos de educação e disseminação cultural.
Hoje, já sabemos que o Ayurveda no Brasil não é mais apenas um nicho espiritual ou um interesse periférico. Ele está presente na vida diária de muitas pessoas. Está nos consultórios, nos atendimentos clínicos, nos processos educativos, nas práticas integrativas, na prevenção, no autocuidado e na reconstrução de uma relação mais inteligente entre indivíduo e saúde.
Cada vez mais pessoas buscam o Ayurveda não apenas para tratar sintomas, mas para compreender sua própria vida e promover longevidade — objetivo maior desta ciência.
Esse crescimento nos traz uma responsabilidade proporcional e o desafio agora é claro: expandir sem perder profundidade, tornar ainda mais acessível sem diluir, profissionalizar sem burocratizar a essência e dialogar com o mundo contemporâneo sem desconectar o Ayurveda de suas raízes ancestrais.
"Talvez esse desafio defina o momento histórico que vivemos no Brasil."
Hoje temos profissionais sérios, escolas comprometidas e uma comunidade em expansão. Porém ainda enfrentamos desafios fundamentais como: reconhecimento profissional; organização de categoria; ética; critérios formativos; representação institucional; e o maior deles — superar a fragmentação.
Muitas vezes, profissionais da mesma área caminham isolados, escolas não dialogam, projetos acontecem paralelamente, esforços se repetem dispersando energia e aquilo que poderia se tornar força coletiva permanece como potência fragmentada.
"É justamente dessa necessidade que nasce a ABP-AYU. A Associação Brasileira de Profissionais de Ayurveda não nasce apenas como uma entidade administrativa, nasce como resposta a uma necessidade histórica de reunir, organizar, representar, fortalecer e criar uma base institucional para que o Ayurveda possa amadurecer no Brasil com mais estabilidade, legitimidade e continuidade."
Associativismo não é apenas reunir nomes em uma lista, é reconhecer que existem construções que nenhum indivíduo realiza sozinho. Nenhum profissional sozinho regulamenta uma profissão, nenhuma escola sozinha representa uma categoria inteira, nenhum terapeuta isolado constrói reconhecimento institucional, entretanto, uma comunidade organizada sim.
O Ayurveda não é uma ciência do indivíduo isolado. Embora cuide da singularidade de cada pessoa, ele sempre compreendeu o ser humano em sua relação com a natureza, o tempo, a alimentação, a comunidade, o ambiente, o propósito e a ordem maior da vida.
Saúde, dentro da visão do Ayurveda, não é apenas ausência de doença, é alinhamento, harmonia e integração.
"O indivíduo saudável não existe desconectado do coletivo."
Nesse sentido, organizarmo-nos profissionalmente também é uma prática de saúde coletiva. E ainda, uma expressão de Dharma, porque Dharma é sustentar aquilo que precisa ser sustentado, aquilo que mantém ordem, coerência e continuidade.
Se recebemos essa tradição, temos também a responsabilidade de sustentá-la com integridade e não apenas praticá-la individualmente. Temos que criar condições para sua continuidade responsável nas próximas gerações.
"Esse é nosso Seva — nosso serviço. Servir ao Ayurveda no Brasil, aos profissionais que dedicaram anos à sua formação, aos estudantes que precisam encontrar caminhos mais claros, à população que merece acesso a profissionais qualificados e bem representados, ao próprio legado desta ciência."
Nossa associação ainda é jovem, estamos em fase de estruturação e definições construindo diretrizes, formalizando processos e criando bases administrativas e institucionais. Isso exige participação. Nenhuma associação nasce pronta, ela nasce do compromisso daqueles que escolhem construí-la.
Este é um momento fundacional e momentos fundacionais são raros. São momentos em que ainda é possível não apenas entrar numa história, mas ajudar a escrevê-la.
Sejamos todos corresponsáveis pelo crescimento do Ayurveda no Brasil. Vamos juntos fortalecer o profissional, o estudante, a sociedade e a credibilidade do Ayurveda em nosso país.
A Índia ofereceu ao mundo um conhecimento precioso e cabe a nós recebê-lo com respeito e maturidade, como guardiões responsáveis de sua transmissão contextualizada.
Que possamos construir no Brasil um Ayurveda forte, ético, acessível, profundo e bem representado. Um Ayurveda que dialogue com o presente sem perder sua alma.
Muito obrigada pela atenção de todos. Que este seja o início de uma construção coletiva longa, sólida e auspiciosa.
Dhanyavad
Gisele de Menezes Presidente da ABP-AYUFaça parte desta construção coletiva
Este é um momento fundacional. Ainda é possível não apenas entrar nessa história, mas ajudar a escrevê-la.
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